Jovens brasileiros ainda preferem a poupança como principal opção de investimento, indica pesquisa
Os jovens brasileiros continuam a adotar uma postura conservadora em relação aos investimentos. Um levantamento recente da plataforma de investimentos Rico aponta que metade dos jovens entre 24 e 35 anos que já investiram mantém parte de seus recursos na poupança. Esse comportamento também se reflete em outra faixa etária: de acordo com um estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), realizado em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 53% dos jovens de 18 a 24 anos ainda confiam suas economias à tradicional caderneta.
Mesmo com a baixa rentabilidade, a poupança permanece como uma escolha popular, sobretudo pela facilidade de uso, liquidez imediata e isenção de Imposto de Renda. Contudo, especialistas alertam para o chamado “risco de oportunidade”, que surge quando o investidor opta por manter seus recursos em aplicações com baixa rentabilidade, como a poupança, em vez de buscar opções que também são seguras, mas oferecem retornos maiores, como títulos de renda fixa.
Falta de controle financeiro preocupa especialistas
Outro dado que chama a atenção na pesquisa da CNDL/SPC Brasil é o fato de que 47% dos jovens da Geração Z (entre 18 e 24 anos) não realizam nenhum tipo de controle financeiro. Entre os motivos apontados por esses jovens, estão a falta de conhecimento sobre como gerenciar suas finanças (19%), falta de disciplina ou hábito (18%) e, em muitos casos, a simples preguiça (18%).
Para especialistas, essa ausência de controle financeiro pode ser prejudicial a longo prazo, dificultando o planejamento e a realização de sonhos como a compra de um imóvel ou a construção de uma reserva para aposentadoria.
Influência familiar e a tradição da poupança no Brasil
A forma como os jovens lidam com o dinheiro muitas vezes reflete o ambiente familiar em que cresceram. A tradição da poupança no Brasil, vista como uma escolha segura, está presente na mentalidade de muitas famílias. “Aqueles com menos conhecimento ou apoio familiar tendem a ser mais conservadores ao investir, já que têm menos margem para erros em caso de perdas. Por outro lado, jovens com um suporte familiar mais estruturado geralmente demonstram maior disposição para assumir riscos”, afirma Vicente Lo Duca, estrategista-chefe de investimentos do Banco do Brasil.
Além disso, a poupança ainda carrega uma espécie de memória afetiva para muitas famílias, que a enxergam como o investimento mais seguro, apesar de sua baixa rentabilidade em comparação com outras opções conservadoras no mercado.
Educação financeira como caminho para uma mudança
Diante da falta de exemplos e orientações dentro de casa, muitos jovens têm buscado informações na internet para aprender a lidar com suas finanças. A educação financeira, quando introduzida cedo, pode ser um diferencial na vida de quem deseja construir uma relação saudável com o dinheiro.
Um exemplo desse movimento é Maria Luiza Lira, mais conhecida como Malu Finanças. Aos 14 anos, ela já escreveu 15 livros voltados para a educação financeira de crianças e adolescentes e hoje atua como palestrante da plataforma Me Poupe!, disseminando a importância do conhecimento financeiro desde cedo.
O cenário revela que, embora os jovens brasileiros ainda mostrem uma preferência pela poupança, o interesse por aprender mais sobre finanças está crescendo, o que pode levar, no futuro, a uma mudança de comportamento em relação aos investimentos.