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Como avaliar uma empresa antes de investir?

São várias as fases a serem consideradas atentamente antes de qualquer decisão de investimentos, o que demanda tempo e dedicação

Gosto não se argumenta, já diz o senso comum. Mas em investimentos, gosto não é tudo. Afinal, não se pode alocar recursos em uma empresa simplesmente porque se gosta dela. São várias fases a serem observadas atentamente antes de qualquer decisão, o que demanda tempo e cuidado. Confira como analisar uma companhia e suas ações antes de investir.

Como analisar?

O primeiro passo na análise, segundo pesquisas e consultores em finanças empresariais, é olhar para o setor em que a empresa está introduzida. “A gente olha primeiro para o potencial de crescimento do setor. Quanto mais jovem o setor, fica mais arriscado [o investimento] e, também, maior aptidão de crescimento. Você pode calibrar o risco e o retorno do ativo olhando para a expectativa do setor.”

A análise dos aspectos financeiros, o que mais acaba com uma empresa é a falta de demanda por seus produtos e serviços. “Então, faça uma avaliação para onde a empresa está indo. Cada investimento que a empresa faz está ligado a uma expectativa de demanda. Olhe para o potencial de crescimento, as barreiras de entrada e as qualidades desse crescimento. Após isso dessa trajetória qualitativa, aí sim o próximo passo é validar se as entregas da empresa estão coerentes com a história e narrativa observada.”

Também são destacados que os investidores interessados em fazer a própria análise da companhia deve se atentar a três identidades importantes: balanço patrimonial, a demonstração do resultado do exercício (DRE) e o fluxo de caixa. Todos eles podem ser achados nas páginas de relações com investidores das companhias abertas. “No balanço, você observa o endividamento, e qual a dívida de curto e longo prazo. Uma empresa tem que ter uma dívida equilibrada, e tem que gerar caixa para pagar essa dívida”. Para saber o quanto a empresa gera de receitas, e o quanto gasta com despesas, o documento a analisar é a DRE. Além disso, a empresa “tem que ter dinheiro para pagar as dívidas de curto prazo, então, tem que olhar para o fluxo de caixa”.

Ressaltamos outros tipos de filtros de análise nesse processo. “Faça uma verificação se a empresa está com uma liquidez saudável, qual o nível de endividamento da companhia. Um ponto muito utilizado pelos analistas é analisar se o uso do capital de giro, que seria uma areia nas engrenagens da empresa, está aumentando ou diminuindo. Assim, você fecha o diagnóstico para ter uma ideia de onde você está entrando.”

Para ficar ainda mais claro, trace um percurso de análise a ser feito pelo investidor, mas pode haver variação dependendo do caso.

  • Inicie com a visão setorial, olhe o balanço patrimonial e entenda onde a empresa investe.
  • Após, verifique o comportamento das receitas, do lucro líquido e as respectivas margens.
  • Veja o grau de endividamento da companhia: os juros que ela paga estão altos para sua geração de caixa?
  • Equipare os múltiplos da empresa, como preço sobre lucro, com outras do mesmo setor.

Uma maneira de analisar, também, se a ação de uma empresa vale mesmo o investimento é olhar o preço justo da ação e comprar com o preço de mercado. Esse número pode ser descoberto por meio do valor intrínseco da ação. Numa hipótese, o investidor pode calcular da seguinte maneira:

Divida o valor do dividendo pela rentabilidade que você gostaria de ter. Considerando, por exemplo, uma empresa que paga R$ 2,50 em dividendos por ano e, a rentabilidade esperada é de 15% ao ano, levando em conta uma projeção de que os dividendos ampliam em 4% ao ano. Com isso, chega-se ao valor justo da ação: R$ 22,73.

Opções

Uma opção para desperdiçar o tempo de analisar uma empresa exaustivamente e ainda correr o risco de ter interpretado errado pode ser o investimento via fundos ou ETFs. Essa é a analise. É uma mistura de fluxos, ou seja, condições favoráveis para a renda variável, e o investimento variado, justamente para mitigar essas dores [de errar na análise]. Assim, os ETFs cabem como uma luva. É como melhor saída para o investidor pessoa física [para entrar em ações].”

O investidor necessita saber que o investimento leva tempo. Então, verificar uma empresa antes de aportar recursos também deve ser um trabalho cauteloso. “O investimento, é para longo prazo, penso em nove anos ou mais. Porque investir é, na verdade, ficar sócio de uma empresa. Você declara no IR que você é sócio da empresa. O seu proposito é que a empresa cresça e dê lucro.”

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